Arquivo da categoria: Metendo a colher

Let Me Roll It

Como mensurar a adoração? Como expressar o amor que eu tenho pelas composições, pelas palavras, pelos acordes?

No último domingo, consegui realizar um sonho. Foi cansativo, caro e sofrido. Mas, valeu. Valeram as noites sem sono. Valeu cada centavo. Valeu cada gota de suor.

Valeram todas as lágrimas daquela noite. Tanto as de pura felicidade, quanto as de saudade pelos que eu nunca poderei ver.

Foi o show da minha vida e de mais de 64 mil pessoas no mesmo dia.

Diante disso, só tenho uma coisa a dizer: “Thanks, Paul, We Love You! Yeah, Yeah, Yeah!”


Por que a América adorou o Cavaleiro das Trevas?

(Introdução: Esse texto eu fiz em 2008 para um website de entretenimento, como na época foi publicado e eu também gostei, eu alterei algumas coisas e decidi postar aqui.)

Grandes filmes são reconhecidos por seu impacto, por sua inovação ou pela sua renda. E foram lançados em tempos que a humanidade poderia ou não estar vivendo seus melhores momentos e isso sempre reverbera na sétima arte. A trilogia antiga de Star Wars, por exemplo, data de um tempo em que a maioria dos países da América Latina eram ditaduras, e no filme temos o Império Galáctico. Em Laranja Mecânica, de 1971, Stanley Kubrick nos antecipa o movimento punk, misturando o erudito de Beethoven com o novíssimo Heavy Metal daquele tempo, além da Guerra Fria, o Vietnã e as greves inglesas.

E em 2008, qual é o cenário histórico que fez um fenômeno passar pelos cinemas? E mais, o que fez os americanos darem uma espetacular receita a O Cavaleiro das Trevas? Lógico, além da mística do personagem que tem mais de 70 anos de quadrinhos e das cenas em IMAX.


Pode cair na mesmice, mas ainda vivemos a sombra do 11 de setembro de 2001, e acho que, a partir do que aconteceu, sempre estaremos sob essa sombra, do terrorismo e do medo, principalmente os ricos (hoje em dia nem tão ricos assim) americanos. Mas, o que uma coisa tem a ver com a outra?

Vamos lá, os americanos se acostumaram tanto com um padrão de vida muito acima da media mundial, que isso quase que acabou tirando eles da realidade mundial e os levando a se acomodarem. A realidade alternativa que eles vivenciam é muito bonita, que mesmo que você não vire presidente, senador, o Warren Buffett, ou algo assim você ainda tem acesso a coisas fantásticas, como um emprego que vai ter dar um certo luxo e, no mínimo uma casa própria (se bem que ela vai estar hipotecada).

O problema é que em uma sociedade tão medíocre (e eu digo isso no sentido puro da palavra) como a americana, qualquer distorção, seja ela boa ou ruim, é exaltada. O Batman, mesmo com todos as suas loucuras e problemas é um ser humano comum, só com os recursos “ilimitados” da família Wayne, uma coisa tipicamente americana (vide Tio Patinhas ou Bill Gates). Os vilões do filme, com suas loucuras à parte, são também frutos do american way of life, ou seja, todos eles têm acesso a poder de fogo destrutivo como bons texanos. Reparem nos filmes de zumbis. Conseguir uma arma para estourar as cabeças deles é como ir comprar pão.

Esse é o ponto em que os americanos sentem mais medo. Eles têm medo que os criminosos criados por eles mesmos, consigam recursos suficientes para causar estrago, e com isso voltamos ao 11 de setembro e a “cria” americana do Afeganistão, Osama Bin Laden, ou mesmo o atentado de Oklahoma em 1995, ou o massacre de Virgina Tech em 2007 . No filme, isso é retratado pelos mafiosos, podres de ricos, inescrupulosos, assassinos e com negócios até em Hong Kong.


Com isso, temos o famoso confronto, bem x mal. Fora à Mulher-gato (nos quadrinhos, ela não está no filme), ou o cara é bom ou é mal, ou Deus ou o Diabo. E o mal, hoje em dia, são os terroristas, como o Coringa no filme.

A partir disso, as explosões, os carros destruídos, as brigas são só parte do jogo, são só demonstrações exacerbadas da vida real. E, mesmo com medo, os americanos ainda gostam de violência, dos estranhos e dos monstros, o Iraque está ai para mostrar isso.



Retomando as ações

Tenho esse blog inutilizado há tempos e decidi voltar com ele. Então aguardem por novidades.


A crise financeira e todos nós

Por Jonas Souza

Bom, o que eu tenho a ver com essa crise? Não invisto na bolsa, não tenho dólares, não tenho conta em nenhum dos bancos envolvidos e/ou falidos. Eu continuo recebendo meu salário e comprando muitas (ou poucas, na maioria dos casos, pelo menos no meu) coisas que eu quero e preciso. Essa crise deve ser só uma idéia besta na cabeça de um cara mal intencionado.

Não, não é.

Infelizmente, todos nós estamos sofrendo os efeitos dessa crise. O presidente Lula, que no começo não queria acreditar que a crise estenderia até o Brasil, hoje diz que ela já diminuiu o volume de crédito para financiamento das exportações e de alguns outros projetos. Grandes empresas do mundo inteiro já disseram que terão prejuízos este ano por conta da maior crise mundial desde 1929 e sua “quinta-feira negra”, as empresas automotivas já registram quedas de vendas. Como isso não pode me afetar. Como não pode afetar a todos nós?

data

A idéia que grande parte da população mundial (inclusive eu) tinha, era de que o governo não deveria usar o nosso dinheiro, o dinheiro dos impostos, para ajudar os bancos. Os banqueiros e todos esses barões do mercado financeiro, claro, já têm muito dinheiro. Mas, se o governo não entra em ação e usa o nosso dinheiro, o banco quebra.

Quando um banco, para realizar suas movimentações constantes, como, por exemplo, um empréstimo, usa o dinheiro que os seus correntistas depositam, ele “pega emprestado”, o nosso dinheiro para, repassar a alguém que peça um adiantamento.

Se o banco não recebe de volta esse adiantamento, ele vai ter menos dinheiro para devolver aos correntistas, assim, começa um círculo vicioso que acaba por levar o banco e, muitos de seus correntistas, a falência. Um desses correntistas pode ser eu, meu pai, o Ozzy Osbourne, ou você.

Isso é só um exemplo de como toda essa “história” de crise pode afetar a todos nós.

Dow Jones 2008

E como afetou empresas como General Motors, Ford, AIG, Citibank… Verdadeiras instituições americanas e mundiais que pediram ajuda ao governo dos EUA para não falirem.

A maior esperança para todo o planeta é que se tomem as medidas certas, da forma mais justa possível, para que isso não vire um círculo vicioso, e uma baita recessão se inicie.

Porque, daí, os fantasmas de 1929 seriam “fraldinhas” perto dos zumbis comedores de cérebros dos dias de hoje.


Imagine there´s no Heaven

Por: Jonas Souza

A socidade conhecida como pós moderna se molda de acordo com as suas necessidades que lhe são passadas com base na mídia, essa que hoje decide o que devemos vestir, comer, beber, usar… E tudo isso, influi na economia, o carro-chefe das relações internacionais atualmente.

O mercado, nesse contexto, é o principal foco de todos os debates em todas as esferas políticas ou camadas sociais. Tudo gira em torno dele (o que é completamente normal, já que vivemos em uma sociedade capitalista) inclusive as pessoas. que são levadas a sempre consumir e a manter o mercado funcionando. A população acaba por comprar itens desnecessários e prova que é alienada com relação a que acontece no planeta, mesmo pensando que ter um tênis da moda ou um carro do último ano é estar “por dentro”.

Há exemplos de como estamos cada vez mais nos tornando coisas e deixando de ser pessoas. Deixamos de pensar por conta própria sendo levados por poderes “desconhecidos” até a fazer coisas que não queremos. O processo de “coisificação” dos seres humanos é evidente. As tragédias, ataques, mortes, bombardeios que antes assustavam a todos hoje não passam de notinhas no jornal de tão comum que ficaram. Os jovens convivem com a violência o tempo todo e aprendem ou vivem ciam que o certo é aprender “no braço” e não com palavras. As atitudes se tornaram metódicas e até os sentimentos são um tanto robóticos.

Hoje, a humanidade enfrenta um período em que não há grandes nações se enfrentando em guerras quentes ou frias, mas há grupos dispostos a tudo por seus ideais. A glorificação da morte é a tônica do mundo. A vida foi deixada de lado e o que importa é somente uma ideologia , uma religião, uma bandeira. Os “androides” humanos mostram-nos um vilusbre de “Matrix” enraizado nas sociedades. As máquinas biológicas irão dominar o mundo que será apenas um arremedo do que nós temos hoje: sem amor, dor, alegria, oxigênio, plantas e água.

As crianças e adolescentes de hoje em dia, mesmo tendo infinitamente mais acesso a informação e sendo mais “conectados” com os problemas que ocorrem no planeta não buscam soluções e acabam com seu consumismo só piorando a situação. O problema volta para o mercado. Com suas “subliminaridades”, suas perseguições e imposições, vivemos em uma ditadura camuflada. Camuflada, pois acima de tudo parecemos felizes com nossos destinos. Como bois indo para um matadouro, sem ter noção do que nos acontecerá.

John Lennon, que junto com Paul McCartney escreveu as mais belas canções do século XX, também é lembrado como um pacifista e sempre preocupado com as questões da Terra, escreveu a canção Imagine como um hino da paz, onde não devemos ter fronteiras e/ou religião nos separando e um dia o mundo será um só. Hoje, muitas pessoas seguem o que diz a música, mas não pelo motivo que Lennon desejasse. A falta de Imagine (no sentido de pensar, sonhar) no mundo faz com que a vida fique vazia. Enquanto o mundo, mesmo com a tecnologia e a globalização está longe de ser um só.

Há diversas maneiras de mudar esse contexto. De tentar fazer um mundo melhor. Você acha que está fazendo a sua parte?


O Segredo de Joe Gould

Por: George Erwin

No senso comum, para ser um bom jornalista, existe a idéia quase óbvia de que é preciso escrever bem. Ignoremos o fato de que isso seja apenas uma idéia que habita o senso comum; ignoremos o fato de que nem todo jornalista escreve tão bem assim e nos perguntemos: o que é escrever bem?

Sofremos hoje, principalmente no jornalismo diário, uma séria limitação criativa na confecção dos textos, talvez pela adaptação do estilo americano de jornalismo impresso que utilizamos, ou quem sabe, pelo tipo de texto que o grande público espera encontrar ao ler uma publicação qualquer. Na verdade, provavelmente pelos dois motivos. Uma boa matéria, geralmente está muito bem resumida num “lead” inicial, e se desdobra de maneira ágil, precisa e direta até a sua conclusão. Ainda assim, houveram, e ainda existem (embora hoje sejam poucos), os veículos que fogem ao modelo. A The New Yorker, que abrigou assinaturas de grandes escritores, como Truman Capote (A Sangue Frio, Bonequinha de Luxo), J.D. Salinger (O Apanhador no Campo de Centeio), John Hersey (Hiroshima), Vladimir Nabokov (Lolita) e Milan Kundera (A Insustentável Leveza do Ser), tem como seu maior mérito a paciência e liberdade para que pudessem ser produzidos textos de tanta qualidade.

A revista não exigia prazos pré-determinados para as matérias de seus jornalistas, e pode se dizer que qualquer um que não desejasse que seus textos se tornassem mera embalagem do peixe do dia seguinte, sonhava em escrever para eles. Joseph Mitchell foi, portanto, um dos talentos consagrados por suas páginas. Com um módico salário de US$ 20.000,00 anuais, ele não tinha problemas em ficar dois anos produzindo uma mesma matéria.

Conhecido por seus perfis cuidadosamente escritos sobre excêntricos e pessoas marginalizadas pela sociedade em torno de Nova Iorque, Mitchell nasceu na fazenda de seus avós maternos, próximo a Iona, Carolina do Norte. A família vendia algodão e tabaco, o que dava dinheiro o suficiente para ajudar em seu sustento. O Segredo de Joe Gould, publicado em 1964, marcou definitivamente o que foram as últimas décadas de sua vida. De 1964 até sua morte em 1996, Mitchell trabalhava em seu escritório, mas nunca mais chegou a publicar algo significativo.

Dizem que ter revelado o segredo na matéria de 64, fora incompatível com a sua ética e ele, por sua vez, acabou por punir-se com o silêncio. Uma outra explicação para este bloqueio, talvez seja sua declaração para o escritor do Washinton Post, David Streitfeld em agosto de 1992: “Você fica tão próximo de alguém que de fato, você acaba escrevendo sobre si mesmo. Joe Gould teve que deixar sua casa, pois ele não se encaixava, do mesmo modo, eu tive que deixar minha casa pois não me encaixava. Falando com Joe Gould por todos estes anos, ele se tornou eu de alguma forma, se você entende o que quero dizer.” Joseph Mitchell morreu de câncer aos 87 anos.

Joe Gould chegou à Nova York em 1916 e viveu lá por mais 35 anos, até falecer em 1957 com 68 anos de idade. Era filho de médicos e chegou a estudar em Harvard, mas simplesmente não se adaptava a vida comum. Em determinado momento de sua história, sua família perde quase toda a sua fortuna e Gould arruma pequenos trabalhos para ganhar algum dinheiro. Certo dia tem a idéia de escrever a “História Oral” e imediatamente abandona tudo e passa a viver de favores dedicando-se exclusivamente a boemia e sua misteriosa obra.

“O Segredo de Joe Gould”, na verdade são as duas matérias escritas sobre este curioso personagem por Mitchell e publicadas na New Yorker. Ambas perfis, embora sob óticas diferentes, falam de um misterioso homem, conhecido na época em todas as lanchonetes baratas e antros do Greenwich Village, em Nova York.

A primeira, entitulada “O Professor Gaivota” e publicada em 1942, é uma análise mais superficial, feita principalmente sobre os depoimentos das pessoas que conviviam com ele e das longas conversas que Mitchell e Gould travavam pelos restaurantes baratos e parques da região.

O personagem se apresenta como um beberrão alegre e macilento, que adora conversar e chamar a atenção para si. Freqüentava muitas festas, dormia em abrigos ou na rua e vestia-se com roupas que lhe eram doadas. Andava sempre com um grande portifólio de papelão carregado de papeis com inúmeras anotações debaixo do braço.

Nas festas, quando não estava cantando e dançando, tirava paletó e sapatos, desabotoava a camisa e punha-se a grasnar como uma gaivota. Nos antros em que costumava esmolar a comida que engolia com vidros de ketchup, falava para quem lhe desse atenção sobre sua misteriosa obra, que segundo ele, revolucionaria a forma como as pessoas viam a história da humanidade, e assim, conseguia trocados para o que chamava de “Fundo Joe Gould”.

A “História Oral”, como era chamada a sua misteriosa obra, segundo ele, tratava-se de uma gigantesca (doze vezes o tamanho da Bíblia) compilação de ensaios e perfis de pessoas comuns, as quais ele atentamente ouvia as histórias. Esta, segundo ele, seria a verdadeira história da humanidade naquele século, e seria alvo de sérios estudos nos séculos posteriores.

Joe Gould de fato havia publicado alguns textos em revistas e jornais da época, a maioria, poesias e artigos sobre assuntos diversos, geralmente relacionados a este misterioso livro.

O segundo texto foi publicado apenas em 1964, e foi resultado de absoluta imersão do jornalista no cotidiano de Joe Gould. Mesmo depois da primeira publicação, Mitchell continuou a encontrar-se quase que diariamente com Gould, e começou uma busca interminável pela tal “História Oral”. Descobriu que o esquisito homenzinho fazia suas anotações em cadernos pautados, destes usados nas escolas, e os guardava com amigos espalhados por toda a cidade.

Gould afirmava que os cadernos eram muitos, que empilhados eram muito mais altos que seus 1,64 metros. Mesmo assim, mostrava sempre alguns poucos capítulos, todos ensaios sobre seus pais, índios e o consumo de tomates. O mais intrigante, é que mesmo que Mitchell encontrasse um novo caderno, com outro suposto amigo de Gould, este caderno tinha uma nova versão de um destes capítulos.

Com o tempo, Mitchell soube que Joe costumava guardar os cadernos com estes amigos até que atingisse um número de 5 ou 6, então, passava recolhendo e sumia com todos eles. Mas apenas para voltar meses depois com mais cadernos para serem guardados, e assim por diante. Segundo Joe, no entanto, estes cadernos que recolhia, estocava em uma propriedade fora da cidade, com uma amiga, para que estivessem protegidos da Guerra.

O mais estranho, é que sempre que ele ficava de pegar parte de sua obra para ser analisada (no caso, a parte que mais interessava para Mitchell, a parte “oral”), vinha com alguma nova desculpa e pedia mais dinheiro para uma nova tentativa de consegui-la.

Por fim, o segredo de Joe Gould acaba por ficar óbvio para o jornalista, que percebe que a “História Oral” na verdade não existe, ao menos fisicamente, pois o mesmo acredita que realmente Gould a tenha em sua cabeça, mas, por preguiça, ou quem sabe até por seu perfeccionismo compulsivo (reescrevia infinitas vezes o mesmo texto e nunca o achava realmente bom), nunca a escrevera, e na verdade não iria fazê-lo, mas suas histórias eram uma boa forma de arrumar dinheiro para seu humilde sustento.

Mas, longe de ser a revelação do segredo, o ponto alto do texto de Mitchell é sem dúvida a apuração precisa, fruto de uma imerção profunda e duradoura, a perfeita compreensão do enigmático personagem que ele nos apresenta. Joe Gould, excêntrico, culto e pobre, através das páginas de Mitchell, nos apresenta uma Nova York desconhecia. Uma ótica simplista da história do cotidiano.


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