A crise financeira e todos nós

27/novembro/2008 por comunikators

Por Jonas Souza

Bom, o que eu tenho a ver com essa crise? Não invisto na bolsa, não tenho dólares, não tenho conta em nenhum dos bancos envolvidos e/ou falidos. Eu continuo recebendo meu salário e comprando muitas (ou poucas, na maioria dos casos, pelo menos no meu) coisas que eu quero e preciso. Essa crise deve ser só uma idéia besta na cabeça de um cara mal intencionado.

Não, não é.

Infelizmente, todos nós estamos sofrendo os efeitos dessa crise. O presidente Lula, que no começo não queria acreditar que a crise estenderia até o Brasil, hoje diz que ela já diminuiu o volume de crédito para financiamento das exportações e de alguns outros projetos. Grandes empresas do mundo inteiro já disseram que terão prejuízos este ano por conta da maior crise mundial desde 1929 e sua “quinta-feira negra”, as empresas automotivas já registram quedas de vendas. Como isso não pode me afetar. Como não pode afetar a todos nós?

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A idéia que grande parte da população mundial (inclusive eu) tinha, era de que o governo não deveria usar o nosso dinheiro, o dinheiro dos impostos, para ajudar os bancos. Os banqueiros e todos esses barões do mercado financeiro, claro, já têm muito dinheiro. Mas, se o governo não entra em ação e usa o nosso dinheiro, o banco quebra.

Quando um banco, para realizar suas movimentações constantes, como, por exemplo, um empréstimo, usa o dinheiro que os seus correntistas depositam, ele “pega emprestado”, o nosso dinheiro para, repassar a alguém que peça um adiantamento.

Se o banco não recebe de volta esse adiantamento, ele vai ter menos dinheiro para devolver aos correntistas, assim, começa um círculo vicioso que acaba por levar o banco e, muitos de seus correntistas, a falência. Um desses correntistas pode ser eu, meu pai, o Ozzy Osbourne, ou você.

Isso é só um exemplo de como toda essa “história” de crise pode afetar a todos nós.

Dow Jones 2008

E como afetou empresas como General Motors, Ford, AIG, Citibank… Verdadeiras instituições americanas e mundiais que pediram ajuda ao governo dos EUA para não falirem.

A maior esperança para todo o planeta é que se tomem as medidas certas, da forma mais justa possível, para que isso não vire um círculo vicioso, e uma baita recessão se inicie.

Porque, daí, os fantasmas de 1929 seriam “fraldinhas” perto dos zumbis comedores de cérebros dos dias de hoje.

Goleadas e o fim de um jejum

4/maio/2008 por comunikators

Por: Jonas Souza

Neste dia quatro de maio, tivemos a definição da maioria dos campeonatos estaduais no país, os mais importantes pelo menos acabaram neste domingo. Agora, uma pequena avaliação de todos os confrontos finais pelo país afora.

Campeonato Paulista:

Esse foi um dos jogos que não teve nem graça, aliás, graça só para os palmeirenses. A equipe aliviverde era muito superior a Ponte Preta e isso se mostrou de forma incontestável na final com um espetacular 5 a 0. Desde o começo da partida, a equipe palmeirense mostrou espírito e raça para decidir a partida. Se a equipe não foi inteiramente brilhante, teve disposição e humildade para fazer o dilatado placar.

Os gols foram conseqüência deste ímpeto e saíram de jogadas bem armadas premiando o artilheiro do campeonato Alex Mineiro, com 3 tentos e 15 no total da artilharia. Depois da vitória sobre o São Paulo, o Palmeiras já era o campeão. E além do artilheiro o Verdão contou com o melhor jogador do campeonato: o chileno Valdivia.

 Campeonato Carioca:

No Rio, outro resultado previsível, o Flamengo tem muito mais time que o Botafogo, vide quem está (e bem) na Copa Libertadores. A equipe rubro-negra fez o jogo dela e nem o primeiro gol do Botafogo interrompeu a concentração e a determinação flamenguista. Obina (sempre ele!) fez dois e o ex-São Paulo Diego Tardelli marcou um. Agora, ao Botafogo resta um torneio em que o Flamengo não está e talvez assim seja campeão.

Já o Flamengo continua na Libertadores onde tem time para ir longe. O título também premia Joel Santana. De saída para treinar a Seleção da África do Sul o técnico viu os dois jogadores que le colocou em campo durante  a partida fazer os gols da vitória e do trigésimo título carioca do Clube de Regatas Flamengo.

  Campeonato Mineiro:

Nessa decisão, a maior barbada. Depois dos 5 a 0 na primeira partida o Cruzeiro poderia ter perdido por W.O. que seria campeão. Esse confronto tem o mesmo texto que o anterior o Atlético-MG continua na Copa do Brasil e o Cruzeiro joga contra o Boca Juniors na Libertadores.

 Campeonato Gaúcho:

Internacional 8 x 1Juventude. Gol do goleiro Clémer. 8 a 1 em uma final! Sem comentários sobre quem merece ser o campeão.

 Agora, que venham as finais da Copa do Brasil, da Libertadores e o Campeonato Brasileiro que só será decidido no longinquo dezembro.

Imagine there´s no Heaven

2/maio/2008 por comunikators

Por: Jonas Souza

A socidade conhecida como pós moderna se molda de acordo com as suas necessidades que lhe são passadas com base na mídia, essa que hoje decide o que devemos vestir, comer, beber, usar… E tudo isso, influi na economia, o carro-chefe das relações internacionais atualmente.

O mercado, nesse contexto, é o principal foco de todos os debates em todas as esferas políticas ou camadas sociais. Tudo gira em torno dele (o que é completamente normal, já que vivemos em uma sociedade capitalista) inclusive as pessoas. que são levadas a sempre consumir e a manter o mercado funcionando. A população acaba por comprar itens desnecessários e prova que é alienada com relação a que acontece no planeta, mesmo pensando que ter um tênis da moda ou um carro do último ano é estar “por dentro”.

Há exemplos de como estamos cada vez mais nos tornando coisas e deixando de ser pessoas. Deixamos de pensar por conta própria sendo levados por poderes “desconhecidos” até a fazer coisas que não queremos. O processo de “coisificação” dos seres humanos é evidente. As tragédias, ataques, mortes, bombardeios que antes assustavam a todos hoje não passam de notinhas no jornal de tão comum que ficaram. Os jovens convivem com a violência o tempo todo e aprendem ou vivem ciam que o certo é aprender “no braço” e não com palavras. As atitudes se tornaram metódicas e até os sentimentos são um tanto robóticos.

Hoje, a humanidade enfrenta um período em que não há grandes nações se enfrentando em guerras quentes ou frias, mas há grupos dispostos a tudo por seus ideais. A glorificação da morte é a tônica do mundo. A vida foi deixada de lado e o que importa é somente uma ideologia , uma religião, uma bandeira. Os “androides” humanos mostram-nos um vilusbre de “Matrix” enraizado nas sociedades. As máquinas biológicas irão dominar o mundo que será apenas um arremedo do que nós temos hoje: sem amor, dor, alegria, oxigênio, plantas e água.

As crianças e adolescentes de hoje em dia, mesmo tendo infinitamente mais acesso a informação e sendo mais “conectados” com os problemas que ocorrem no planeta não buscam soluções e acabam com seu consumismo só piorando a situação. O problema volta para o mercado. Com suas “subliminaridades”, suas perseguições e imposições, vivemos em uma ditadura camuflada. Camuflada, pois acima de tudo parecemos felizes com nossos destinos. Como bois indo para um matadouro, sem ter noção do que nos acontecerá.

John Lennon, que junto com Paul McCartney escreveu as mais belas canções do século XX, também é lembrado como um pacifista e sempre preocupado com as questões da Terra, escreveu a canção Imagine como um hino da paz, onde não devemos ter fronteiras e/ou religião nos separando e um dia o mundo será um só. Hoje, muitas pessoas seguem o que diz a música, mas não pelo motivo que Lennon desejasse. A falta de Imagine (no sentido de pensar, sonhar) no mundo faz com que a vida fique vazia. Enquanto o mundo, mesmo com a tecnologia e a globalização está longe de ser um só.

Há diversas maneiras de mudar esse contexto. De tentar fazer um mundo melhor. Você acha que está fazendo a sua parte?

Final inédita

20/abril/2008 por comunikators

Por: Jonas Souza

Seguindo o exemplo de semana passada, o São Paulo estava melhor em campo. Tinha mais posse de bola e arriscava mais. Isso até os 22 minutos. Léo Lima veio solto pelo meio-campo com a bola e arriscou o chute ao gol. Rogério Ceni disse que não viu a bola e não conseguiu segura-lá. A partir daí, o jogo ficou verde.

As duas equipes tinham desfalques, pelo lado Tricolor eram o irregular Richarlyson e Zé Luis, o carrapato de Valdivia no último jogo. No Palmeiras, o volante Pierre, um dos motorzinhos da equipe também não jogava. Zé Luis fez mais flata que Pierre.

O Palmeiras durante a partida teve um Valdivia mais atuante que no último jogo, até porque a marcação de Fábio Santos foi muito inferior do que a de Zé Luis na última partida.  No São Paulo, Dagoberto e Jorge Wagner atuaram como armadores, tentando travar os volantes verdes, isolando Adriano. Júnior caia pelos dois lados do campo tentando ajudar na articulação e suprindo a deficiência de Joílson, que não atacava. Mas com os desfalques e o elenco reduzido, Muricy Ramalho teve de prender Hernanes como volante à esquerda, e mesmo assim ele ainda criou boas oportunidades, isso até o gol, que inflamou os palmeirense e abateu os são-paulinos.

Já no segundo tempo, com Borges no lugar de Dagoberto, o São Paulo tentou buscar algo além do lançamento para a cabeça de Adriano. Mas o Palmeiras soube não só respeitar o bicampeão brasileiro como resgatar a própria história. Foi encaixando contra-ataques, tentando segurar o São Paulo na frente, e, atrás, com Marcos em dias de Marcos (sobretudo nos cruzamentos, com dois passos à frente por orientação de Luxemburgo) e com os zagueiros se redimindo dos erros na primeira partida. Aos 35 minutos, com a expulsão de André Dias e a entrada desesperadora de Sérgio Mota, o São Paulo ficou completamento aberto e isso se fez valer no segundo gol.

Wendell saiu livre e tocou para Valdivia que matou o jogo. Depois, ainda houve um apagão, mais uma das confusões do jogo, que incluíu gás de pimenta no vestiário do São Paulo, o que fez o time voltar a campo mais cedo. Durante o apagando tivemos bate boca entre Muricy e Luxemburgo, um “tapa” de Rogério ceni em Valdivia e mais uma discussão de Luxa, dessa vez com o próprio Rogério.

A luz voltou só para encerrar o jogo, pois depois do fim os holofes se apagram. Agora, é Palmeiras que está há oito anos na fila contra a Ponte Preta que está a mais de cem.

A fraude seria melhor?

17/abril/2008 por comunikators

Por: Jonas Souza

Nos gloriosos Estados Unidos da América, também existem fraudes, corrupção e falsificação. Mas, não são como no Brasil, onde, além disso praticamente fazer parte da nossa cultura, os criminosos ficam impunes. As notícias que vem da parte Norte da América falam sobre falsificação de dados para se entrar em faculdades mais conceituadas como Yale ou Harvard. Um caso a parte mostrou que também há deficiencias no processo de seleção americano, vamos a ele:

“Akash Maharaj era um excelente candidato. Ele já havia estudado na Universidade Colúmbia, onde tinha grandes notas, e desejava uma transferência. Yale não só o admitiu como também lhe ofereceu uma bolsa de US$ 32 mil. Mas posteriormente a universidade descobriu que boa parte das informações que constavam de sua inscrição eram falsas. Agora, ele está enfrentando acusações de apropriação indébita e falsificação. Além da bolsa de Yale, ele havia conseguido US$ 15 mil em bolsas e crédito educativo do governo federal norte-americano.

De acordo com um depoimento prestado por representantes de Yale, embora ele tenha sido aluno da Colúmbia, as notas altas não procediam, e o mesmo se aplicava a uma recomendação da universidade que ele apresentou e até mesmo a uma ficha escolar oficial. E antes da Colúmbia, ele havia estudado também na Universidade de Nova York.

A história de Maharaj, expulso de Yale no ano passado, quando os dirigentes descobriram suas trapaças, foi divulgada na última terça-feira pelo Yale Daily News, o jornal da instituição. Mas estão emergindo novas informações. Ao que aparece, Maharaj havia se transferido à Universidade de Nova York vindo de ainda outra escola, a St. John’s, onde, segundo um porta-voz, ele estudou do final de 2002 ao segundo trimestre de 2003.

A trapaça de Maharaj foi revelada no final de uma temporada de admissões universitárias vista como a mais competitiva de todos os tempos. Yale, por exemplo, só admitiu 8% dos 23 mil inscritos. Especialistas em educação afirmam que o caso coloca em destaque o dilúvio de falsificações e outras fraudes relacionadas a credenciais acadêmicas, à medida que prossegue a busca frenética por vagas nas instituições educacionais de elite.

“Isso está nos atingindo como um maremoto”, disse Barmak Nassirian, diretor executivo associado da Associação Norte-Americana de Funcionários de Admissão e Registro Universitário, em Washington, referindo-se à “fraude de credenciais absolutamente engenhosa”. Ele acrescentou que “o ensino superior dos Estados Unidos não estava preparado para o triplo problema da globalização, Internet e conversão da educação superior em um negócio de primeira dimensão.”

Isso mostra que o todo poderoso processo de seleção americano por méritos acadêmicos durante toda a vida também não é 100% infalível. Mas, ainda assim é muito melhor que o processo que temos em nosso país onde toda a nossa vida depende de apenas uma prova. Além disso mostra como a educação lá tem muitos incentivos a mais do que aqui. O trapaceador tinha ganhado duas bolsas de estudo, totalizando inacreditáveis US$ 47 mil.

Quem aqui já tentou entrar nos processos de bolsa e/ou no Pro-Uni? Nesses processos além de ter uma grande burocracia só finaciam parte da mensalidade da faculdade, que o canditado ainda terá que continuar a pagar por anos após a faculdade estiver completa. Engraçado como os problemas americanos mostram que nosso problemas são muito maiores. 

O Segredo de Joe Gould

14/abril/2008 por comunikators

Por: George Erwin

No senso comum, para ser um bom jornalista, existe a idéia quase óbvia de que é preciso escrever bem. Ignoremos o fato de que isso seja apenas uma idéia que habita o senso comum; ignoremos o fato de que nem todo jornalista escreve tão bem assim e nos perguntemos: o que é escrever bem?

Sofremos hoje, principalmente no jornalismo diário, uma séria limitação criativa na confecção dos textos, talvez pela adaptação do estilo americano de jornalismo impresso que utilizamos, ou quem sabe, pelo tipo de texto que o grande público espera encontrar ao ler uma publicação qualquer. Na verdade, provavelmente pelos dois motivos. Uma boa matéria, geralmente está muito bem resumida num “lead” inicial, e se desdobra de maneira ágil, precisa e direta até a sua conclusão. Ainda assim, houveram, e ainda existem (embora hoje sejam poucos), os veículos que fogem ao modelo. A The New Yorker, que abrigou assinaturas de grandes escritores, como Truman Capote (A Sangue Frio, Bonequinha de Luxo), J.D. Salinger (O Apanhador no Campo de Centeio), John Hersey (Hiroshima), Vladimir Nabokov (Lolita) e Milan Kundera (A Insustentável Leveza do Ser), tem como seu maior mérito a paciência e liberdade para que pudessem ser produzidos textos de tanta qualidade.

A revista não exigia prazos pré-determinados para as matérias de seus jornalistas, e pode se dizer que qualquer um que não desejasse que seus textos se tornassem mera embalagem do peixe do dia seguinte, sonhava em escrever para eles. Joseph Mitchell foi, portanto, um dos talentos consagrados por suas páginas. Com um módico salário de US$ 20.000,00 anuais, ele não tinha problemas em ficar dois anos produzindo uma mesma matéria.

Conhecido por seus perfis cuidadosamente escritos sobre excêntricos e pessoas marginalizadas pela sociedade em torno de Nova Iorque, Mitchell nasceu na fazenda de seus avós maternos, próximo a Iona, Carolina do Norte. A família vendia algodão e tabaco, o que dava dinheiro o suficiente para ajudar em seu sustento. O Segredo de Joe Gould, publicado em 1964, marcou definitivamente o que foram as últimas décadas de sua vida. De 1964 até sua morte em 1996, Mitchell trabalhava em seu escritório, mas nunca mais chegou a publicar algo significativo.

Dizem que ter revelado o segredo na matéria de 64, fora incompatível com a sua ética e ele, por sua vez, acabou por punir-se com o silêncio. Uma outra explicação para este bloqueio, talvez seja sua declaração para o escritor do Washinton Post, David Streitfeld em agosto de 1992: “Você fica tão próximo de alguém que de fato, você acaba escrevendo sobre si mesmo. Joe Gould teve que deixar sua casa, pois ele não se encaixava, do mesmo modo, eu tive que deixar minha casa pois não me encaixava. Falando com Joe Gould por todos estes anos, ele se tornou eu de alguma forma, se você entende o que quero dizer.” Joseph Mitchell morreu de câncer aos 87 anos.

Joe Gould chegou à Nova York em 1916 e viveu lá por mais 35 anos, até falecer em 1957 com 68 anos de idade. Era filho de médicos e chegou a estudar em Harvard, mas simplesmente não se adaptava a vida comum. Em determinado momento de sua história, sua família perde quase toda a sua fortuna e Gould arruma pequenos trabalhos para ganhar algum dinheiro. Certo dia tem a idéia de escrever a “História Oral” e imediatamente abandona tudo e passa a viver de favores dedicando-se exclusivamente a boemia e sua misteriosa obra.

“O Segredo de Joe Gould”, na verdade são as duas matérias escritas sobre este curioso personagem por Mitchell e publicadas na New Yorker. Ambas perfis, embora sob óticas diferentes, falam de um misterioso homem, conhecido na época em todas as lanchonetes baratas e antros do Greenwich Village, em Nova York.

A primeira, entitulada “O Professor Gaivota” e publicada em 1942, é uma análise mais superficial, feita principalmente sobre os depoimentos das pessoas que conviviam com ele e das longas conversas que Mitchell e Gould travavam pelos restaurantes baratos e parques da região.

O personagem se apresenta como um beberrão alegre e macilento, que adora conversar e chamar a atenção para si. Freqüentava muitas festas, dormia em abrigos ou na rua e vestia-se com roupas que lhe eram doadas. Andava sempre com um grande portifólio de papelão carregado de papeis com inúmeras anotações debaixo do braço.

Nas festas, quando não estava cantando e dançando, tirava paletó e sapatos, desabotoava a camisa e punha-se a grasnar como uma gaivota. Nos antros em que costumava esmolar a comida que engolia com vidros de ketchup, falava para quem lhe desse atenção sobre sua misteriosa obra, que segundo ele, revolucionaria a forma como as pessoas viam a história da humanidade, e assim, conseguia trocados para o que chamava de “Fundo Joe Gould”.

A “História Oral”, como era chamada a sua misteriosa obra, segundo ele, tratava-se de uma gigantesca (doze vezes o tamanho da Bíblia) compilação de ensaios e perfis de pessoas comuns, as quais ele atentamente ouvia as histórias. Esta, segundo ele, seria a verdadeira história da humanidade naquele século, e seria alvo de sérios estudos nos séculos posteriores.

Joe Gould de fato havia publicado alguns textos em revistas e jornais da época, a maioria, poesias e artigos sobre assuntos diversos, geralmente relacionados a este misterioso livro.

O segundo texto foi publicado apenas em 1964, e foi resultado de absoluta imersão do jornalista no cotidiano de Joe Gould. Mesmo depois da primeira publicação, Mitchell continuou a encontrar-se quase que diariamente com Gould, e começou uma busca interminável pela tal “História Oral”. Descobriu que o esquisito homenzinho fazia suas anotações em cadernos pautados, destes usados nas escolas, e os guardava com amigos espalhados por toda a cidade.

Gould afirmava que os cadernos eram muitos, que empilhados eram muito mais altos que seus 1,64 metros. Mesmo assim, mostrava sempre alguns poucos capítulos, todos ensaios sobre seus pais, índios e o consumo de tomates. O mais intrigante, é que mesmo que Mitchell encontrasse um novo caderno, com outro suposto amigo de Gould, este caderno tinha uma nova versão de um destes capítulos.

Com o tempo, Mitchell soube que Joe costumava guardar os cadernos com estes amigos até que atingisse um número de 5 ou 6, então, passava recolhendo e sumia com todos eles. Mas apenas para voltar meses depois com mais cadernos para serem guardados, e assim por diante. Segundo Joe, no entanto, estes cadernos que recolhia, estocava em uma propriedade fora da cidade, com uma amiga, para que estivessem protegidos da Guerra.

O mais estranho, é que sempre que ele ficava de pegar parte de sua obra para ser analisada (no caso, a parte que mais interessava para Mitchell, a parte “oral”), vinha com alguma nova desculpa e pedia mais dinheiro para uma nova tentativa de consegui-la.

Por fim, o segredo de Joe Gould acaba por ficar óbvio para o jornalista, que percebe que a “História Oral” na verdade não existe, ao menos fisicamente, pois o mesmo acredita que realmente Gould a tenha em sua cabeça, mas, por preguiça, ou quem sabe até por seu perfeccionismo compulsivo (reescrevia infinitas vezes o mesmo texto e nunca o achava realmente bom), nunca a escrevera, e na verdade não iria fazê-lo, mas suas histórias eram uma boa forma de arrumar dinheiro para seu humilde sustento.

Mas, longe de ser a revelação do segredo, o ponto alto do texto de Mitchell é sem dúvida a apuração precisa, fruto de uma imerção profunda e duradoura, a perfeita compreensão do enigmático personagem que ele nos apresenta. Joe Gould, excêntrico, culto e pobre, através das páginas de Mitchell, nos apresenta uma Nova York desconhecia. Uma ótica simplista da história do cotidiano.

Gol por direito divino.

13/abril/2008 por comunikators

Por: Jonas Souza

O jogo começou como o resto do campeonato. O Palmeiras pressionando sendo a equipe que não perdia há 14 jogos tentou, como vinha fazendo muito bem, atacar a “desestruturada” equipe do São Paulo ( que mais uma vez vinha desfalcado), que respondia unicamente em contra-ataques, com bem menos posse, mas ganhando no corpo e na bola as divididas.

Mas, apenas aos 11 minutos de partida, aconteceu a jogada que pode decidir o Paulistão 2008.

Começou com a jogada mais manjada do São Paulo: como ocorre sempre, o ala-meia-lateral Jorge Wagner bateu mais uma falta na área, a sua nona assistência na temporada para Adriano. O artilheiro Tricolor pulou na bola que, chegou a raspar sua cabeça e achou seu braço entrando no gol. Agora, o Imperador, como os reis da idade média que se diziam com o direito divino de governar, têm entre seus 13 gols, cinco com a perna esquerda, sete com a cabeça, e tal qual Maradona contra a Inglaterra, tal qual La Mano de Díos, um com a mão direita.

Para o árbitro Paulo César de Oliveira, o lance foi de bola no braço, não de mão na bola. O gol valeu e o São Paulo começava ganhando.

O gol, marcado depressa em um momento de domínio alviverde, desestabilizou completamente a equipe de Luxemburgo.  Mesmo com alguns poucos bons ataques e a permanência do domínio de bola, a equipe estava agressiva e ansiosa, errando muitos passes, principalmente com Diego Souza. Enquanto isso, Valdívia era completamente anulado por Zé Luis e Hernanes agilizava o meio-de-campo Tricolor com bons arranques e passes. Jorge Wagner também aquecia o ataque com seus lançamentos e cruzamentos, enquanto Dagoberto pecava em passes próximos a área. Essa situação continuou até o final do primeiro tempo.

A segunda etapa começava com novo golpe para o Palmeiras, Gustavo se enrolou com a bola, Jorge Wagner deu o combate e passou para Adriano, que com sua explosão e força ganhou de Pierre e chutou na saída de Marcos. Era apenas o fim do primeiro minuto do segundo tempo.

Após isso, o time do São Paulo parece ter se dado conta que poderia liqüidar a semifinal já no Morumbi, foi para cima do Palmeiras e ameaçou muito, mas Dagoberto continuava a errar passes e a não chutar a gol.

Luxemburgo, vendo que seu time fazia o pior jogo desta temporada, decidiu arriscar tudo. Colocou Denílson e Lenny deixando a equipe muito ofensiva, com quatro homens a frente. E um apagado Valdívia para armar o jogo.

O São Paulo continuava ainda com mais volume de jogo e se aproximava perigosamente do terceiro tento quando, aos 31, Alex Silva chutou o joelho de Lenny na área e Paulo César de Oliveira marcou pênalti. Alex Mineiro bateu, sem chances para Rogério Ceni e deu esperanças a torcida palmeirense por mais noventa minutos.  O jogo se encerrou com pressão palmeirense e uma pequena retração são-paulina.

Agora, teremos a volta no Palestra Itália, onde, o São Paulo recheado de problemas, brigas e viagens ganhou as últimas duas decisões, joga por um empate enquanto o Palmeiras decide sua vida para ir a final e sair do jejum de títulos. 

Sílvio Santos, esse desconhecido

11/abril/2008 por comunikators

Matéria publicada originalmente na revista “O Cruzeiro“, em Julho de 1975.

SÃO PAULO
Texto de ARLINDO SILVA
Fotos de ERASMO DE SOUZA

Esta é uma história que nem o próprio Sílvio Santos conhece. Aconteceu em 1973. Naquele ano, a FAO, órgão das Nações Unidas, estava promovendo um congresso em Madrid, para debater o problema de alimentação no mundo. (FAO é a sigla de “Food and Agriculture Organization”.) O dr. Mittendorf, diretor desse organismo, é tido como grande figura humana, e, além de preocupar-se com os problemas da alimentação e desenvolvimento da agricultura, preocupa-se com problemas políticos e sociais dos povos subdesenvolvidos. Naquele congresso em Madrid, o dr. Mittendorf pediu, aos delegados brasileiros, que enviassem biografias de médicos e grandes empresários brasileiros – que, tendo partido de zero, transformaram-se em potências no mundo dos negócios e dos empreendimentos. O interesse do dr. Mittendorf era fazer com que as histórias desses homens fossem conhecidas entre as populações subdesenvolvidas do chamado “terceiro mundo”, muitas das quais têm tumultuada vida política, sob regimes totalitários. O dr. Mittendorf queria mostrar como, nas nações democráticas como o Brasil, a livre-iniciativa e o trabalho sem esmorecimento podem produzir verdadeiros milagres, transformando pessoas humildes, das camadas mais simples da população,em lideres de clãs e ou em grandes empresários. O nome de Sílvio Santos foi, desde logo, posto em foco nessas conversas dos delegados brasileiros como dr. Mittendort, em Madrid. (Aliás, o diretor da FAO, de passagem pelo Brasil, em 1972, já ouvira referências à história espetacular de Sílvio Santos, que tendo começado como camelô no Rio de Janeiro, hoje comanda um império.) Ficou acertado que a vida de Sílvio Santos seria enviada para o dr. Mittendorf, que iria traduzi-la e transformá-la em material para pesquisas escolares, conferências públicas e bibliotecas, nos países pobres da Ásia e África. Por coincidência, naquele ano estava sendo lançado, em São Paulo, o livro “A Vida Espetacular de Sílvio Santos”, segundo narrativa dele próprio a este repórter. Esse livro também foi remetido, junto a outros relatos, para o diretor da FAO, cuja sede é em Roma. Vale recordar que, no prefácio desse livro, escrevêramos o seguinte: “Arrancar de Sílvio Santos a narrativa de sua vida foi um teste de perseverança, até convencê-lo de que sua história constituía um exemplo e um estímulo para os menos favorecidos da sorte”. Em outras palavras, aquilo que o dr. Mittendorf queria mostrar aos povos subdesenvolvidos eram as vantagens dos regimes democráticos, onde há oportunidade para todos, em todos os setores das atividades humanas.

Os shows de caridade

Há muitas facetas na personalidade de Sílvio Santos que o público, habituado só a vê-lo na televisão, desconhece. Por exemplo, ele jamais contou – e não gosta que o façam – que destina anualmente cerca de 300 mil cruzeiros para a compra de cadeiras de rodas e pernas mecânicas para paralíticos, além de doações de mantimentos, roupas, agasalhos, etc. a entidades beneficentes. Por exemplo: há algumas semanas, todos os esquemas de produção dos Studios Sílvio Santos, de Vila Guilherme, foram acionados para montar um show no Clube Atlético Paulistano, freqüentado pela nata da sociedade paulista, atendendo a um pedido da sra. Maria Henriqueta Marsiaj Gomes, esposa do ministro Severo Gomes. Objetivo da festa: angariar fundos para a “Barraca de S. Paulo” na grande festa que todos os anos se realiza em Brasília em benefício da “Casa do Candango”. Entre os prêmios oferecidos para serem sorteados num bingo, estavam os ofertados pelo próprio Sílvio: geladeira, máquina de lavar, televisões e um Opala 75, cuja ganhadora (sra. Elcy Valfíades) tornou a doá-lo à barraca de S. Paulo para nova promoção. A tenda do show no Paulistano rendeu Cr$ 470.000,00 e as figuras mais expressivas da sociedade paulistana não pouparam elogios ao espírito de solidariedade demonstrado por Sílvio Santos. A colunista Alik Kostakis, tão comedida sempre nos seus comentários a respeito de todos os assuntos, dedicou página inteira de cobertura da festa, para dizer o seu “muito obrigado a Sílvio Santos”.

O grande espetáculo em Brasília

Logo a seguir, Sílvio era novamente convocado para promover outro show com a mesma finalidade. Desta vez, a pedido da sra. Edwaltriz Pitton Serejo, esposa do governador do Distrito Federal, sr. Elmo Serejo. Caminhões e aviões foram fretados para transportar, de São Paulo a Brasília, material de produção e artistas. Desta vez, a beneficiada era a “Barraca de Brasília”, ainda em benefício da “Casa do Candango”. O espetáculo durou 3 horas, com o Ginásio Presidente Médici lotado – cerca de 25 mil pessoas. Para a “Barraca do Estado do Rio de Janeiro”, Sílvio Santos doou um automóvel, que foi sorteado entre os que participaram da grande festa promovida, no Rio, pela esposa do ministro da Marinha. (E Sílvio só não levou o seu show ao Rio por motivos de força maior.)

Esse é o lado desconhecido de Sílvio Santos. O homem que faz dois programas semanais na TV, um de 9h30min de duração e outro de 4 horas: que tem um programa diário na Rádio Nacional de S. Paulo; que dirige uma holding de 16 empresas, cujo capital é da ordem de 250 milhões de cruzeiros; que tem 4.500 empregados representando 20 mil dependentes – esse homem demonstra que não é apenas o “Gênio do Baú”, como disse mestre David Nasser, num magistral artigo retratando o animador-empresário. Sílvio Santos dá mostras de que, por trás do homem de negócios, é um homem de bom coração. Quando ele desloca suas equipes de produtores, artistas, técnicos e equipamentos, para realizar shows beneficentes – como fez há pouco – ele sabe quanto isso é importante para uma entidade como a “Casa do Candango”, criada para proporcionar assistência a velos e crianças de Brasília a cidades-satélites. Atualmente essa entidade assiste a cerca de 3000 pessoas, que são os pais, os irmãos, os filhos daqueles pioneiros que fundaram a deram vida à nova Capital do Brasil.

Para todas as outras coisas existe Mastercard… Mas só se for do Citibank!

10/abril/2008 por comunikators

Por: George Erwin

Quem tentou comprar meias-entradas para o show do Ozzy, que aconteceu no dia 05/04, sábado, e não era cliente Citibank, não teve nem chance de ficar perto do príncipe das trevas. Segundo dados da própria Ticket Master, as meias-entradas para estudantes para a pista especial, esgotaram ainda na pré-venda, que é aberta apenas para os clientes que possuem cartão Citibank.

Mas o absurdo não para ai, se você quer comprar pelo site, ou seja, se pretende conseguir alguma meia-entrada para a pista especial, acaba pagando todo o tipo de taxa: cerca de 20% de conveniência (bem inconveniente, diga-se de passagem) e mais R$6,00 para o que eles chamam de Will Call (retirar o seu ingresso “reservado” na bilheteria), ou se você preferir, uma taxa ainda maior, que varia de acordo com o seu CEP, para que entreguem em casa.

As falhas são muitas. Em primeiríssimo lugar, a prática de restringir as meias-entradas para apenas 30% do total de ingressos a serem vendidos, é totalmente ilegal. Agindo assim, eles desrespeitam a Lei Estadual 7.844 – decreto 35606 e a Lei Municipal 11355/93 que foi ainda complementada pela Lei também Municipal 13715/04.

A empresa Ticket Master, já foi autuada diversas vezes pela Fundação Procon-SP, mas apesar da multa, a prática ainda é a mesma. À demais, segundo o site da mesma Fundação, o consumidor lesado, em teoria, deveria adquirir o ingresso de valor inteiro, e posteriormente entrar com uma reclamação, mas a Ticket Master não comparece às audiências e resta ao consumidor ingressar com uma ação no Juizado Especial Cível (JEC), para conseguir ser ressarcido do valor excedente, o que geralmente também não funciona.

A TicketMaster se defende dizendo que só aceita proporcionar este direito (sim, proporcionar um direito, como se fosse uma gentileza deles…) se o Governo Federal se encarregar de pagar a diferença. Em resumo, são feitos Decretos, Medidas Provisórias, Leis e, mesmo assim, nem a Prefeitura, nem o Estado, nem o Ministério Público ou muito menos o Governo Federal, tomam uma atitude cabível.

Quer ver o próximo show na pista especial? Pague 300 reais então. Sabe, o que mais me deixa indignado, é o valor abusivo de um simples ingresso. Já experimentou assistir ao mesmo show em Brasília ou em qualquer outro estado (que não seja o Rio ou São Paulo)? Os locais são menores e mesmo assim, os ingressos chegam a custar a metade do preço.

Só para constar:

Total de reclamações contra a Ticket Master em 2007: 16

Total de reclamações contra a Ticket Master em 2008 (até 13/03): 7

Total de reclamações referentes à falta de ingressos para estudantes: 15 (Dados: Fundação Procon SP)

LEI Nº 13.715, DE 7 DE JANEIRO DE 2004 (Projeto de Lei nº 616/03, do Vereador Arselino Tatto – PT) Confere nova redação aos artigos 1º, 4º, 5º e 7º da Lei nº 11.355, de 05 de maio de 1993.

MARTA SUPLICY, Prefeita do Município de São Paulo, no uso das atribuições que lhe são conferidas por lei, faz saber que a Câmara Municipal, em sessão de 27 de novembro de 2003, decretou e eu promulgo a seguinte lei:

Art. 1º – O artigo 1º da Lei nº 11.355/93 passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1º – Os estudantes da educação básica (ensino fundamental e ensino médio), educação de jovens e adultos (ensino fundamental e médio), educação profissional (básico e técnico), cursos pré-vestibulares e educação superior (cursos tecnológicos, seqüenciais de graduação e pós-graduação), regularmente matriculados em estabelecimentos de ensino públicos ou particulares, oficialmente reconhecidos, terão assegurado o acesso aos cinemas, cineclubes, teatros, espetáculos musicais, circenses e eventos esportivos apresentados no Município de São Paulo.”

Art. 2º – (VETADO)

Art. 3º – (VETADO)

Art. 4º – O artigo 7º da Lei nº 11.355/93 passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 7º – O Poder Executivo regulamentará esta lei, no prazo de até 60 (sessenta) dias a partir da data de sua publicação.”

Art. 5º – Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, aos 7 de janeiro de 2004, 450º da fundação de São Paulo. MARTA SUPLICY, PREFEITA LUIZ TARCISIO TEIXEIRA FERREIRA, Secretário dos Negócios Jurídicos LUÍS CARLOS FERNANDES AFONSO, Secretário de Finanças e Desenvolvimento Econômico ENEAS RODRIGUES SOARES, Secretário Municipal de Educação – Substituto CELSO FRATESCHI, Secretário Municipal de Cultura Publicada na Secretaria do Governo Municipal, em 7 de janeiro de 2004. RUI GOETHE DA COSTA FALCÃO, Secretário do Governo Municipal

Casas Abadia: dedicação total a você!

10/abril/2008 por comunikators

Por: Jonas Souza

Quem viu a grande multidão que invadiu o “Bazar do Abadia”, a grande liqüidação de moda, decoração, eletrônica que aconteceu esta semana em SP?

A “liqüidação” dos bens do Abadia, é a cara de São Paulo, aliás é a cara do Brasil. Tudo que acontece aqui começa como um Drama e acaba como uma boa Comédia Pastelão.

O consumismo foi tão exagerado que até lembrou os viciados que finaciaram todos esses bens. Essa grande “invasão” teve seu lado de “crime legal”. Pois, a cena do crime é sempre empolgante, todo mundo quer ver, igual acidente de carro.

O traficante, ou seja, o dinheiro do tráfico, virou Casas Bahia, desculpe, Casas Abadia, com seus preços módicos e sem ninguém ao menos querer saber da onde veio tudo aquilo.

Assim como o Brasil, aliás, a política que se faz no Brasil.

Tudo parece um grande Shopping Center, o congresso virou uma “casa de R$ 1,99″, que só nos dá ou oferece coisas “desinteressantes”, neste último ano. Desinteressantes como, o escândalo Renan Calheiros e os cartões para comprar Tapioca. Estão quase todos em liqüidação.

A nossa oposição está liqüidada, o governo meio que em saldão, enquanto o presidente Lula é o único que está em franca promoção já para 2010, não ele, mas que Lula vai ajudar, seja quem o PT escolher ele vai.

Essa saída de “leilão”, de “bazar”, das “Casas Abadia” poderia servir também para os escândalos do governo. Imagine vender os bens dos mensaleiros, ou a valiosíssima cueca de US$ 100.000,00 ou o Land Rover do amigo do Dirceu?

A grande questão é onde vão parar essas riquezas? As investigaçõs se findam e os bens os bandidos de Brasília não aparecem. Se as CPIs conseguissem achar alguma coisa poderiam colocar à venda. Aceitaria-se Cartões Corporativos, Vale-Refeição, Vale Transporte.

Tudo isso com tapioca das boas para comer, que, imaginem, roubou o lugar da pizza. :P